Archive for the ‘Politiquices’ Category

Da realidade das coisas

Fevereiro 19, 2010

Entristece-me profundamente o clima político do meu país. Não é coisa de agora. Entristece-me desde que comecei a ler as actas das primeiras assembleias republicanas (e também algumas que li das Cortes da Monarquia Constitucional que agora estão finalmente disponíveis online) por motivos académicos. Em muitas delas percebe-se a pouca capacidade de alguns dos políticos que nos têm (des)governado ao longo do últimos séculos. Será justo dizer que também constam destes documentos testemunhos de pessoas extraordinárias nos diferentes quadrantes políticos, mas infelizmente são sempre em menor número. É um facto que em Portugal o descontentamento com a classe política é crónico e a culpa deste facto só pode ser atribuída, na minha opinião, às fraquezas constantemente demonstradas pelos seus representantes.

Hoje vivemos problemas graves no país. O desemprego aumenta a galope. A economia não dá sinais de recuperação e mesmo sabendo que a nossa situação é diferente da Grécia (rico elemento de comparação que arranjamos) está numa situação penosa. Indústria e Agricultura nem sinal. Educação em constantes reformas estruturais desde a primeira reforma estrutural depois do 25 de Abril que foi a inclusão da PGA (quem se recorda) para o acesso ao ensino superior. Gastamos milhões na saúde e os resultados são péssimos. A Cultura é esquecida constantemente com a argumentação simplista sobre as dificuldades do Estado e as crises económicas (melhor seria dizer a crise económica, porque penso que ainda não saímos dela desde o século XVIII). A máquina do Estado continua gigante e arrogante, centrada num umbigo cheio de cotão que ninguém tem a coragem de limpar. E assim continuamos nós, atentos ao futebol nacional, à campanha da selecção e ao ruído produzidos pelos mediáticos casos de justiça e política que vendem bem. Culpa nossa, por certo. Se não se vendessem tão bem, certamente que nos preocupávamos e centrávamos atenções naquilo que realmente importa.

Não quero com isto dizer que apurar a verdade dos factos no caso em que se vê envolvido o Primeiro Ministro não seja importante. Claro que é. Depois de ler o Sol não deve haver alma que não tenha ficado preocupado com o seu conteúdo. No entanto, o que vemos é Sócrates contrapor apenas com questões de forma, esquecendo completamente o conteúdo das escutas. E sejamos claros, todos os governos têm essa tentação de controlar a informação que é veiculada sobre as suas falhas ou sucessos, mas este foi, na minha opinião, longe demais nessa tentativa e usou poderes do Estado para o fazer, segundo o que se lê no Sol. Infelizmente para nós continuamos assim.

Entristece-me a realidade das coisas. Entristece-me ver Portugal governado assim. Entristece-me não vislumbrar alternativas possíveis (eu acho que há alternativas, mas sou parte de uma minoria impossível). Entristece-me ver um país capaz acorrentado. Entristece-me ver o povo acomodado.

Está explicado!

Dezembro 16, 2009

A verdadeira razão pela qual o PS ganhou as eleições legislativas do passado Outubro é esta!

Devo dizer, sem qualquer falso moralismo, que não percebo tanto alarido por causa de um simples, ainda que generoso, decote. É bonito de se ver e o que é bonito, já lá dizia a minha avó, nunca fez mal às vistas!

No entanto, temo que um destes dias, com o politicamente correcto que por aí anda, os senhores que mandam na casa da República vão tentar impor um código de conduta para os trajes na assembleia. Um decreto lei que se chamaria algo como “Das boas regras de traje para os Deputados da Nação”. Sempre se via a rapaziada do BE e do PCP de gravatame!

Palhaço

Dezembro 10, 2009

E não é que ouve alguém que partiu a loiça no Parlamento? E logo quem? A Zézinha Nogueira Pinto, caragos! Juro que fiquei um pouco decepcionado. Acho que nem a Odete Santos chegou a chamar palhaço a um colega deputado, mas agora não há nada a fazer!

Eu compreendo a Zézinha… não há nada que me irrite mais do que ter alguém a mandar umas “bocas regimentais” quando estou a desenvolver o meu mais requintado, polido e fino raciocínio. Um gajo a carregar umas bilhas e ter um artista atrás sempre a dizer “ahhh e tal não devia fazer assim!” ou “olhe que ainda dá conta das costas!” e outras que tais só dá vontade de lhe acertar com a bilha na cabeça ou então de lhe chamar palhaço!

Enfim… parlamentarices!

Suspeição

Dezembro 4, 2009

Suspeição
s. f.

Suspeita ou conjectura desfavorável acerca da probidade ou imparcialidade de alguém.

É esta a definição que encontro no dicionário online da Priberam. Suspeição é o clima em que vivemos acerca da justiça portuguesa. Percebo os argumentos das várias partes sobre o caso das escutas a Armando Vara, no âmbito do processo Face Oculta, que apanharam o nosso Primeiro por tabela. Mas se por um lado há magistrados que dizem haver indícios de crime contra o estado e se por outro o PGR diz que não há nada que indicie crime por parte do Primeiro Ministro de Portugal, nós, o povo, temos mais que motivos para ficar com dúvidas acerca do funcionamento da justiça (pelo menos os de nós que não são letrados em direito). Será que os magistrados que conduzem o processo são tão distraídos que não tivessem noção das consequências dos seus actos? Será que o PGR está de alguma forma limitado na sua actuação? É uma dúvida legítima.

Para a sua dissolução seria bom termos políticos um pouco mais responsáveis do que estes. As acusações de espionagem política, de interferência na justiça à Manuela Ferreira Leite quando ela diz que “é grave que tenhamos um primeiro-ministro sob suspeita” (a mim parece-me bem grave e se estivessemos num país mais exigente com os seus eleitos teríamos já sido esclarecidos sobre a situação) por parte do Ministro da Justiça são das coisas mais infelizes que tenho ouvido desde que tenho consciência política. E mais graves são quando se têm atitudes semelhantes à do Ministro da Economia. Uma espécie de bate e foge para não ser apanhado.

Ontem a ouvir a Quadratura do Círculo fiquei estupefacto com os argumentos utilizados por António Costa para argumentar contra Pacheco Pereira e Lobo Xavier. Dizer que devia fazer “um manifesto dos interesses” (a Lobo Xavier quando falava sobre o negócio PT – TVI, sendo que ele é advogado de uma empresa concorrente da PT) e que devia “ter cuidado com os seus amigos” (a Pacheco Pereira numa acusação infantil e de muito mau gosto, porque ao que se sabe Pacheco Pereira não é acusado de nada, nem foi ouvido em qualquer escuta a dizer o que quer que fosse sobre as escutas) é do mais estapafúrdio que ouvi nos últimos tempos.

Eu sinceramente quero acreditar no nosso sistema judicial e político, mas sinceramente fica muito difícil. Exigem-se esclarecimentos cabais a quem o pode (e deve) fazer.

Eh pá… vai trabalhar para as sondagens!

Outubro 8, 2009

Diz-nos Elisa Ferreira, independente, candidata pelo PS à Câmara do Porto, a senhora da gamela de bruxelas para os mais distraídos, que Rui Rio tem o apoio de 6 milhões de benfiquistas. Eu concordo. Sou benfiquista e apoio o Rui Rio.

No entanto apoio Rui Rio pelo que ele fez em relação à cidade, não por ter deixado de permitir as celebrações das vitórias do Porto na varanda da Câmara. Apoio o homem pelo que ele fez na cidade (onde acabou várias obras deixadas a meio pela Porto 2001), pela organização que trouxe para o interior da Câmara (que era miserável), pelo que tem feito em termos de renovação da habitação social, pelo que fez no bairro S. João de Deus, pelas constantes e renovadas parcerias que faz com a Universidade, pela renovação da baixa e pela sua revitalização, enfim, por vários factores que me fazem pensar que ele é um bom presidente da câmara.

Mesmo que não o apoiasse numa fase inicial, apoiaria-o depois de ouvir aquela parte do discurso sobre a oferta de tripas à restante população do país. O Porto pode oferecer bem mais ao país do que isso. Pode oferecer-se como capital da ciência, como Rio fez. Isso é que conta realmente para o papel que o Porto deve ter no desenvolvimento do país.

A ser verdade

Agosto 18, 2009

é um dos maiores atentados à democracia de que me lembro. Mas em todo o caso parece-me que vai ser mais um dos casos da silly season. Não me parece plausível que, se fosse verdade, a Presidência ainda não tivesse feito uma queixa ao Ministério Público e viesse relatar a coisa, através de um membro da Casa Civil, ao Público.

São os dois Público, mas parece-me que a Presidência ainda tem de confiar no primeiro, certo?

Estes republicanos invejosos da troca da bandeira lá quiseram arranjar outra coisa para se divertirem! 🙂

É Pinar vilanagem!

Julho 29, 2009

Que os moços oferecem 200 europas por cada puto que nasça numa bela de uma conta poupança, caragos! É desta que ninguém sai à rua e fica tudo no chamego em casa.

PS: ó Senhor Sócrates… se o senhor baixasse um pouco mais os impostos directos, o IVA por exemplo, se criasse uma rede de creches públicas como deve ser, se desse mais atenção no SNS aos serviços de pediatria e outras coisitas assim do género eu prometo que ia agora mesmo para casa tratar de arranjar uma irmã para o Bilhas, The Kid.

Estou confuso!

Fevereiro 3, 2009

Então não eram os padres que usavam o púlpito para convencer os seus fiéis a votar nos políticos mais cristãos? Até esta tradição se perde, carago!

Está tudo ao contrário

Finca pé!

Outubro 31, 2008

Por muito que o nosso primeiro diga (que o diz e até o faz no estrangeiro, em cimeiras importantes e tudo) que o raio do Magalhães é um produto único e é até “o primeiro grande computador ibero-americano” e sei lá mais o quê, eu fico na minha e garanto ao Bilhas, The Kid, por escrito e de assinatura reconhecida, que assim que o rapagola entrar para a primária eu compro-lhe um Apple. Pode não ser o primeiro grande computador ibero-americano, mas tem, com toda a certeza, muito mais fiabilidade e pinta. Chamem-me cagão se quiserem, mas esta merda do governo andar a promover empresas privadas no estrangeiro é coisa que me aflige, afinal ele nunca me promoveu as Bilhas, não é?

Seria melhor se realçasse o que é realmente importante nesta história, isto é, o facto de os miúdos na primária poderem ter acesso a um computador… isso sim é inovador, agora a assemblagem de um pc… (sim aquilo não tem nada de novo ou de português, ora vejam).

Valha-nos o navegador que vai andar às voltas na tumba!

Porrada, porrada, porrada…

Outubro 2, 2008

Penso que a coisa seria mais facilmente resolvida se as entidades de poder locais e centrais se sentassem à mesa ou se telefonassem entre si uns tempos antes de apresentarem qualquer tipo de proposta para resolver estas coisas.

Assim sendo, esta questão ainda vai dar muito que fazer aos jornalistas e comentadores da praça.

Por qué no te callas?

Julho 18, 2008

Aproveito a real deixa para vos colocar uma questão: sou eu que estou com o alemão já completamente dentro de mim, ou este senhor disse há uns tempos atrás que não iria falar sobre o PSD até 2009?

É que me cansa e eu nem tenho nada a ver com o PSD, garanto!

Valha-nos o Santíssimo

Abril 29, 2008

Se tivermos em consideração que a imagem é, hoje em dia, um factor muito importante na política, é bom que o Prof. Patinha Antão compense isto com muitas e boas ideias para o futuro do país.

PS: só uma sugestão para o senhor. É melhor abrir um blog… fica mais bonitinho e tudo, mas não se esqueça que deve ler todos os textos que por lá publicam, ok?

Eh pá… ainda estás por cá?

Março 10, 2008

Em leituras à esquerda apanho uma pérola destas e fico a pensar: “então este moço ainda anda por cá?”

E aprendo duas coisas. Primeira… os professores que se manifestam são maus professores. Muito maus, aliás! E deviam envergonhar-se de não serem tão bons como os professores que ensinaram o Rangel. A segunda é que o partido comunista vai ganhar as próximas eleições legislativas, pois com semelhante capacidade de mobilização não há maioria absoluta que aguente!

Prémio "Não confunda o povo, ófáxavor!"

Março 5, 2008

Segundo o líder do PSD, Luís Filipe Menezes, estamos perante um dos maiores dilemas dos últimos anos da vida democrática nacional. Ao que parece não temos em quem votar nas próximas eleições. Ponto.

O PS já não merece ser governo (eu interrogo-me valentemente se alguma vez o mereceu ou se o governo PSD-PP fez com que merecesse) e o PSD ainda não merece, pelo menos para já, ser o governo que Portugal precisa (merece?). Portanto, e como é sabido que os partidos pequenos só entram na conta para coligações necessárias, pergunto eu: “em quem deveremos nós confiar o destino da nação?”

Assim não vale Senhor Menezes. A malta fica confusa, carago pá! Acho mesmo que o melhor é esperar pelo que vai sair do novo partido que se pretende posicionar no centro, mesmo ali entre o PS e o PSD (se é que há ali vaga para alguma coisa).

Ó pá! Eu sou tão bom, não é? Porreiro, pá…

Fevereiro 19, 2008

Estava a ver o nosso primeiro na SIC a ser entrevistado e a determinada altura pensei que estava a ver um tempo de antena do PS, tal era o à vontade do Sócrates com os dois entrevistadores (ou deveria dizer as pessoas que ouviam ao vivo o tempo de antena?).

O único que lhe fez um pouco de frente foi o Costa, mas muito pouco. E os temas escolhidos? Porquê tão poucos? A Justiça? A remodelação da pasta da Cultura? Não são importantes, como economia e educação, bem sei… mas por amor de Deus, uma entrevista de 3 anos de mandato pedia bem mais do que o que nos foi apresentado!

Muito fraco!

PS: o Sócrates mostrou ali toda a sua argúcia e inteligência enquanto político.