Archive for the ‘A dor’ Category

É cedo demais

Junho 16, 2012

Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer.

Miguel Esteves Cardoso – Amigos para sempre.

Começa assim uma das crónicas de Miguel Esteves Cardoso com que mais me identifico entre as centenas de textos dele que já li e que sempre que a reencontro me faz lembrar os meus bons amigos. Saberão vocês que nasci em Espinho e lá vivi até aos meus 30 anos. Não saberão, no entanto, que Espinho é uma terra pequena, propícia à amizade e à proximidade entre os seus. Eu posso confirmar-vos que assim é. Nesses 30 anos e mais uns 10 que levo em cima construí amizades que sei que durarão para toda a minha vida, pese embora o distanciamento e a pouca comunicação entre os amigos da terra. Há pessoas que o acham estranho, mas eu sinto de cada vez que estou com esses amigos a sensação boa de um retorno a casa, não de um reencontro, mas sim de continuidade. É assim com um conjunto de amigos aos quais poderia chamar de irmãos. Não são muitos, mas são bons.

O Peixoto é um desses grandes amigos. Não me recordo sequer de quando o conheci, acho que antes de ter consciência de mim mesmo já o conhecia, as nossas mães são amigas e o Peixinho foi colega de primária do meu irmão. Fizemos de tudo juntos. Noites de copos, roubamos fruta no quintal do Padre Manuel, fizemos bons jantares, uma festa de carnaval a rodopiar por todas as festas da cidade (depois de não nos deixarem entrar numa festa de amigos) que acabou na sede da campanha do Freitas, acampamos, servimos os dois num bar da Spinus, dançamos, percorremos quilómetros para ir ter com miúdas que conhecíamos nas matinés, jogamos voley, boas conversas, festejamos bons momentos e sofremos juntos situações complicadas, enfim… crescemos juntos e construímos uma daquelas amizades de que vos falava atrás.

Há umas horas atrás o sacana do coração do meu amigo (era um coração enorme) deixou-o mal e não conseguiu resistir. O Peixoto deixou-nos cedo demais e eu não consigo perceber onde está a justiça de nos levarem os Amigos assim tão cedo. Nem para um último abraço, para um último copo, tive tempo.

Um abraço enorme, meu grande amigo! Estarás sempre por perto!

Aproveito para deixar à Zé (uma segunda mãe) e à Gabi um enorme beijo e a maior força do mundo neste momento difícil!

A saudade

Abril 4, 2012

Ainda há pouco nos deixaste e já sinto uma saudade que me corta o coração. É verdade minha querida Tia. Fazes-me falta. Fazem-me falta as pessoas boas que nos vão deixando. Fazes-me falta porque foi o teu colo que me acolheu nos maus momentos e o teu abraço que me saudou nos bons…

Estavas sempre presente. Agora ao olhar para os meus quase 40 anos, não consigo recordar um só dos principais momentos da minha vida em que tu não estivesses.

Rezam as crónicas que foste a primeira (ou segunda… não tenho a certeza) pessoa que me viu. E confesso que metade da minha vaidade vem da forma como tu descrevias este teu menino e me contavas sobre os elogios que recebias quando me levavas a passear. Na minha infância e juventude estavas presente nas celebrações, nos ralhetes, nos conselhos, na amizade, na forma como transmitias uma sabedoria que te foi entregue pela tua mãe, a minha querida avó São. Aliás, soubeste substituí-la como ninguém e foste, após a sua partida, tia e avó.

Entrei para a universidade e recordo o teu sorriso quando te contei e o abraço forte que deste a este calaceiro quando reportei as primeiras boas notas na faculdade e ainda guardo algures um cartão em que escreveste “eu disse-te que conseguias…” e eu consegui, sabendo que tu e a família acreditavam em mim… nas minhas capacidades. No primeiro trabalho que consegui recebi o teu mimo e os parabéns e confesso-te que ver que te fazia orgulhosa de mim, sempre foi um estímulo importante.

Quando casei, estiveste lá e acolheste a minha mulher como tua sobrinha. Deste-me o prazer de uma pequena dança. Quando a nossa primeira gravidez ficou pelo caminho, abraçaste-me e confortaste-me. Quando chegou o João e depois a Inês senti que tinhas por eles o mesmo carinho e amor que me deste anos e anos a fio e, se não fosse nada mais, estaria eternamente grato por esse amor os meus amores. Em cada vez que estava contigo, abraçavas-me e dizias “ó meu Nézinho! Meu querido menino!” com um carinho que só se compara a uma mãe ou avó… eu tentava retribuir com um abraço forte e um “Milaizinha querida!” enquanto te dava a turrinha familiar. O que sempre me espantou era a forma como o fazias por todos nós, irmãos, filhos, netos, sobrinhos e cunhados, sempre com a mesma intensidade.

Hoje demos a nossa última turrinha. Estás agora com o Tio Franklim, com o Zé Jorge e com o avô João e a avó São a descansar. Diz-lhes que temos saudade.

Obrigado do fundo do coração por tudo!

Cesária Évora

Dezembro 20, 2011

Andava eu, desde que ouvi a triste notícia da morte de Cesária Évora, a tentar recordar-me da primeira vez que a ouvi e hoje, assim que me sentei em frente ao computador, recordei-me.

Ouvi-a através de uns tios e primos meus que tinham retornado de Angola, após a trágica descolonização que fizemos no seguimento do 25 de Abril. A minha tia Micas (nome carinhoso para a Tia Maria Emília) que pouca ou nenhuma instrução tinha e que viveu uns anos connosco, regressada aos pontapés da sua terra, ouvia-a e cantava a sua saudade, através da Sodade da fabulosa cabo verdiana.

Hoje fica a minha saudade da Cesária Évora e tambem da minha tia Micas e tio Chico que infelizmente já partiram.

Ando distraído a perder peso…

Julho 6, 2011

e blogar é actividade sentada, por isso aqui o bilhas tem ficado para 123123º plano! 🙂

Workout para abater a banha

Maio 20, 2011

Estamos a acordar de manhã cedo para pedalar que nem um louco antes de ir trabalhar! Amanhã vou colocar aqui os resultados oficiais 😉

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Uma ajuda Sr. Steve Jobs, uma ajuda!

Fevereiro 5, 2011

Estou a tentar actualizar o meu Iphoto (que é uma app fantástica) para a versão mais recente, mas a sacana da nova Mac App Store diz-me que já o tenho instalado (sem que realmente o tenha)! Enfim…  Para explicar melhor aqui vão duas imagens:

App instalada:

App que a Mac App Store diz que tenho instalada:

Reparem ali em cima naquele “Installed” em baixo do ícone. Sacana da App Store que não me deixa gastar dinheiro, nem parece querer ganhar!

E nem preciso dizer que tenho o Snow Leopard 10.6.6, não é?

Alguém teve o mesmo problema? Alguém que também não conseguiu fazer o upgrade do Iphoto 9 para o Iphoto 11?

Tão óbvio, pá!

Fevereiro 3, 2011

Andava às voltas para conseguir uma ideia para a prenda de aniversário da minha catraia e realmente escapava-me o óbvio. Precisava de uma coisa bonita, prática e com boa pinta e finalmente encontrei…

Agora só me falta o europamilhões e estamos falados!

Um pequeno (enorme) agradecimento!

Janeiro 26, 2011

Estive a ver nos anais (nada de segundas ou terceiras interpretações seus badamecos) da história gloriosa da família Bilhas e não me recordo de ter (ou alguém por mim) feito um singelo, mas importante, agradecimento à mãe, agora avó, Bilhas, por me ter dado o belíssimo nome que ostento naquele cartão que impede as pessoas de votar! Assim sendo aqui vai:

Mãe! Muito obrigado pelo belo nome que me deram!

Dito isto vamos lá ao cerne da questão. Também o Casal Bilhas (eu e a minha mais que everything) está a contas com a escolha do nome da herdeira que está a caminho. O Bilhas, The Kid por esta altura já tinha o primeiro nome escolhido, mas a mana dele ainda não tem nem primeiro, quanto mais o segundo… se é que vai ter segundo nome próprio! Não pensem que a malta faz disto grande tempestade em copo de tinto, nada disso! Mas o problema é que se aproxima a data e a bem dizer família e amigos não se cansam de inquirir sobre a escolha do nome da petiz! Vai daí temos, mais dia, menos dia, que decidir.

Sendo assim queria mostrar-me solidário com a Lucy e o Djaló. Compreendo meus caros a grande dificuldade que tiveram e percebo todos os motivos que vos levaram a escolher o belíssimo (NOT) nome pelo qual responderá a vossa filha. Até porque foi um acto de enorme coragem. Nem a possibilidade alta de serem alvo, daqui a uns anos, de um processo de dados morais por parte dela vos demoveu dessa vontade.

Não posso deixar também e por último de agradecer aos criadores desta maravilhosa ferramenta. Lyoncificar é a derradeira ajuda para pais desesperados! Não se espantem daqui a uns anos com os respectivos processos, ok?

Sempre vosso e ao dispor,

Biilhasonce Oriolmaneeiii

 

New Year Resolutions

Janeiro 3, 2011

1. nunca acreditar no que um operador de telemóveis nos garante em Outubro como verdade! Nunca mesmo!

As seguintes seguem dentro de momentos! Mas havia que fazer este piqueno desabafo!

wish list I

Dezembro 2, 2010

ó pra mim tão caladinho durante tanto tempo e a vir aqui apenas para pedinchar! 🙂

Ahhhh pois é bebé… agora que vou ser pai (again) de uma menina tenho de começar a preocupar com a imagem (como acontece, aliás desde que me lembro de ser gente) e vai daí fica aqui um primeiro desejo natalício:

Imagem: aqui.

Experimentei ontem na volta maravilhosa que dei com a Mrs. Bilhas e o Bilhas, the Kid e os dois gostaram, mas a sacana da proeminência abdominal teima em estragar os meus planos! Vamos lá a ver se a senhora da loja consegue desafogar um pouco as costuras!

E agora para uma coisa assim… tipo… espectacular!

Novembro 3, 2010

Justiça perde quatro anos a decidir destino de casaco velho! Sim é verdade e acontece neste belo jardim à beira mar plantado. 🙂

 

 

ó Sócras… calma aí, pá!

Outubro 15, 2010

Que tu assim dás cabo da rapaziada. Então ele é aumento de impostos, redução das deduções, alteração ao IVA de alguns produtos (passam de 6 para 23%), mais impostos para as empresas, portagens para a rapaziada aqui no Norte e tudo e tudo e mais os PEC I e II e sei lá bem mais o que vem por aí e pensas que a rapaziada se aguenta à bronca assim sem mais nem menos?

Não há por aí um tachito aqui para o rapaz conseguir suportar semelhante!? Prometo que também não me candidato à Federação do PS de Coimbra. Se o tacho for mesmo bom prometo até que não me candidato a qualquer federação do PS ou mesmo à FPF e a outras federações que possam existir. Pode ser?

Agradecidos!

PS: até me custa ouvir falar este nosso Primeiro Ministro.

Altos Céus

Outubro 14, 2010

Houve em tempos um lugar que era nosso. Meu, dos meus irmãos, pais, avós e tios. Era um lugar de convívio, de partilha, de amizade, mas também algumas vezes de conflito e problemas. O normal em todas as famílias com algum número. Era um lugar querido, principalmente pelo meu pai que nasceu por lá e lá se sentia bem. Era a sua casa, mesmo quando se casou e foi viver para outra casa com a nova família, manteve esse lugar como a sua casa. Eu compreendo-o, porque aquela casa nova para onde ele foi morar, hoje já destruída, ainda é a minha casa! Ainda passo por lá com a saudade normal de algo que em tempos era nosso.

Aquele lugar que era o do meu pai era particularmente importante nesta altura do ano. Altura das festas locais e da reunião com amigos, conhecidos, vizinhos que naquele dia voltavam e se reuniam a ver passar a procissão, ou a ouvir as Bandas a tocar à desgarrada. Após a morte da minha avó o local foi perdendo algum do seu encanto. Lembrava-nos a velhinha Vó Rora e os momentos difíceis que passou nos últimos anos de vida. Passado algum tempo morreu outro tio, depois outro e depois a tia com mais idade que resistiu até aos 90 e muitos. O lugar continuou a perder o encanto.

No ano passado, disputas familiares, zangas antigas e uma sacanice sem descrição possível que fizeram ao meu pai, aquele lugar perdeu todo o encanto para nós.

Hoje recebi um convite no Facebook para ir às festas e lembrei-me da minha avó a colocar-me um coelho bebé no meu colo quando eu era muito pequenito. Sorri e pensei que aquele sítio é pequeno em relação a tudo que lá passei e aprendi.

Ainda a ausência de vergonha

Outubro 6, 2010

Mas tu queres ver isto: Agarrem-me senão vou-me ao gajo, carago! É que parece que estamos perante um caso completo de ausência de vergonha.

Aliás… vergonha deve ser palavra já excluída do dicionário do PS. Não há, porque se houvesse alguém já tinha vindo a público desmentir estas afirmações ou, no mínimo, condená-las! Mas, e aqui estou como o treinador do Porto, como se calou tudo sobre este assunto, parece-me que é matéria consensual para quem nos governa.

Tratado sobre a ausência de vergonha

Setembro 30, 2010

Não vou aqui escrever sobre a ausência da vergonha. Muito menos irei fazer um tratado sobre o assunto. Apenas aponto aos meus caros amigos a solene conferência de imprensa que ontem o nosso Primeiro e o Primeiro do nosso Primeiro (o ministro das Finanças) deram, como o exemplo acabado da mais atroz falta de vergonha a que assisti nos últimos anos. São estes momentos televisivos que os professores e educadores em geral agradecem. Nada como um bom mau exemplo para se mostrar a um catraio o que é a falta de vergonha. Eu até estou a pensar em guardar carinhosamente o vídeo da conferência para mostrar ao Bilhas, The Kid como é que não nos devemos comportar quando assumimos uma responsabilidade. Principalmente quando assumimos a responsabilidade de administrar o bem comum.

Mas – perguntam vocês – ó Bilhas, porque raio é que achas que os sacanas não têm vergonha na cara? E eu, na minha infinita paciência, respondo:

Ó Senhores, mas vocês não conseguem perceber que aquela gente está completamente perdida e desorientada? Não se apercebem que num dia eles dizem que a economia dá sinais positivos e no outro apresentam PEC1 e no seguinte PEC3 e mais umas semanitas e toma lá PEC4 a ver se te aguentas? Não é óbvio para vocês que esta rapaziada anda há tempos a olhar para o lado e assobiar quando toda a gente, repito, quando toda a gente diz o rei vai nu? E olhem que vai nu quase quase na iminência de ser sodomizado à força toda por esse sacana do endividamento público! Meus caros amigos… até eu que sou letrado em tudo menos matemática e economia sei que ninguém pode gastar mais do que tem. É um príncípio ensinado em tenra idade recorrendo a coisas simples como laranjas, maças, perâs e outra fruta.

Sinceramente eu, um optimista crónico, estou desiludido. Não consigo conceber que não haja forma de reduzir a despesa do Estado de forma considerável, porque todos os dias sou confrontado com notícias, relatos de amigos, situações a nível profissional que me permitem dizer que o Estado pode realmente reduzir a despesa e evitar o desperdício, mas para isso é preciso vontade, coragem e determinação e estas três qualidades, meus caros amigos, há muito que são raras nos políticos portugueses. Há muito que quem nos governa pensa (ainda que não o diga) estas barbaridades.

Em todo caso a culpa é mesmo de todos nós. Continuamos a votar neles, não exigimos, não nos preocupa o bem comum, achamos piada a quem foge dos impostos e chamamos-lhe esperto, esperamos que o Estado seja o pai que dá, mesmo sabendo que este pai não tem como dar.

Enfim. Eu optimista crónico me confesso, melhores dias virão se lutarmos por eles!