Archive for Abril, 2012

A saudade

Abril 4, 2012

Ainda há pouco nos deixaste e já sinto uma saudade que me corta o coração. É verdade minha querida Tia. Fazes-me falta. Fazem-me falta as pessoas boas que nos vão deixando. Fazes-me falta porque foi o teu colo que me acolheu nos maus momentos e o teu abraço que me saudou nos bons…

Estavas sempre presente. Agora ao olhar para os meus quase 40 anos, não consigo recordar um só dos principais momentos da minha vida em que tu não estivesses.

Rezam as crónicas que foste a primeira (ou segunda… não tenho a certeza) pessoa que me viu. E confesso que metade da minha vaidade vem da forma como tu descrevias este teu menino e me contavas sobre os elogios que recebias quando me levavas a passear. Na minha infância e juventude estavas presente nas celebrações, nos ralhetes, nos conselhos, na amizade, na forma como transmitias uma sabedoria que te foi entregue pela tua mãe, a minha querida avó São. Aliás, soubeste substituí-la como ninguém e foste, após a sua partida, tia e avó.

Entrei para a universidade e recordo o teu sorriso quando te contei e o abraço forte que deste a este calaceiro quando reportei as primeiras boas notas na faculdade e ainda guardo algures um cartão em que escreveste “eu disse-te que conseguias…” e eu consegui, sabendo que tu e a família acreditavam em mim… nas minhas capacidades. No primeiro trabalho que consegui recebi o teu mimo e os parabéns e confesso-te que ver que te fazia orgulhosa de mim, sempre foi um estímulo importante.

Quando casei, estiveste lá e acolheste a minha mulher como tua sobrinha. Deste-me o prazer de uma pequena dança. Quando a nossa primeira gravidez ficou pelo caminho, abraçaste-me e confortaste-me. Quando chegou o João e depois a Inês senti que tinhas por eles o mesmo carinho e amor que me deste anos e anos a fio e, se não fosse nada mais, estaria eternamente grato por esse amor os meus amores. Em cada vez que estava contigo, abraçavas-me e dizias “ó meu Nézinho! Meu querido menino!” com um carinho que só se compara a uma mãe ou avó… eu tentava retribuir com um abraço forte e um “Milaizinha querida!” enquanto te dava a turrinha familiar. O que sempre me espantou era a forma como o fazias por todos nós, irmãos, filhos, netos, sobrinhos e cunhados, sempre com a mesma intensidade.

Hoje demos a nossa última turrinha. Estás agora com o Tio Franklim, com o Zé Jorge e com o avô João e a avó São a descansar. Diz-lhes que temos saudade.

Obrigado do fundo do coração por tudo!

Anúncios