Geração à rasca… ou enrascada!

Lá diz a soberana e sábia voz do povo: “o pior cego é aquele que não quer ver!” e sinceramente é o que eu acho sobre as pessoas que criticam negativamente o protesto apartidário e ordeiro (assim espero) que a rapaziada da geração à rasca está a convocar para o próximo dia 12 em 10 cidades deste jardim à beira mar plantado.

Antes de continuar deixem que vos diga que eu sou um rapaz com um emprego bom (faço o que gosto), não remunerado como gostaria, mas ainda assim com excelentes condições, a minha catraia está empregada também num emprego estável (claro que dentro do que hoje podemos esperar da estabilidade) e apenas temos como dívida a mansão e uns 60 cêntimos do café que me esqueci de pagar hoje de manhã. Temos um filhote mais do que muito lindo que não recebe abono e estamos à espera da filha mais linda do mundo (eu sei, eu sei… somos uns sacanas cheios de coragem) e estamos muito bem, obrigadinha!

Ainda assim eu se puder gostava de marcar presença na manifestação por uma questão de solidariedade com algumas pessoas que têm lutado ao longo dos anos, baseados nas expectativas que a sociedade lhes cria (tira um curso, vai para a universidade, tira um mestrado e logo a seguir “doutóra-te” que este país só trata bem os doutores) e na pouca ou nenhuma educação/formação para a realidade dum país pequeno no contexto europeu.

Conheço exemplos de pessoas com elevada formação, com estágios/contratos de trabalho realizados em algumas das melhores instituições internacionais na minha área de trabalho, com dedicação e de um profissionalismo exemplar atestado por todos os sítios onde têm passado que chegam aqui à merdaleija e apenas arranjam trabalho como hospedeiras da Easyjet (o que já é muito bom) ou como telefonistas num qualquer call-center de uma empresa de comunicações. Dizem-me que mesmo esses já não são maus, que as pessoas escolheram áreas de formação erradas e sem perspectiva de emprego no mercado de trabalho e eu pergunto sempre porque raio se dão opções de cursos, normalmente pagos a peso de ouro, que formam pessoas para o desemprego? Se temos advogados a mais, porque continuam a formar centenas deles todos os anos? Se precisamos de engenheiros, porque raio é que o ensino não pode ser direccionado para as nossas necessidades? Se precisamos de pessoal para trabalhar como electricista, porque raio é que deixamos acabar o ensino técnico no país?

Enfim… sem querer atribuir culpas a alguém específico, atribuo a mim mesmo alguma dessa culpa por ter deixado a coisa chegar onde chegou e por isso gostava mesmo de marcar presença no protesto…

PS: agora o encosto do PCP à coisa faz-me pensar duas vezes!

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