Tratado sobre a ausência de vergonha

Não vou aqui escrever sobre a ausência da vergonha. Muito menos irei fazer um tratado sobre o assunto. Apenas aponto aos meus caros amigos a solene conferência de imprensa que ontem o nosso Primeiro e o Primeiro do nosso Primeiro (o ministro das Finanças) deram, como o exemplo acabado da mais atroz falta de vergonha a que assisti nos últimos anos. São estes momentos televisivos que os professores e educadores em geral agradecem. Nada como um bom mau exemplo para se mostrar a um catraio o que é a falta de vergonha. Eu até estou a pensar em guardar carinhosamente o vídeo da conferência para mostrar ao Bilhas, The Kid como é que não nos devemos comportar quando assumimos uma responsabilidade. Principalmente quando assumimos a responsabilidade de administrar o bem comum.

Mas – perguntam vocês – ó Bilhas, porque raio é que achas que os sacanas não têm vergonha na cara? E eu, na minha infinita paciência, respondo:

Ó Senhores, mas vocês não conseguem perceber que aquela gente está completamente perdida e desorientada? Não se apercebem que num dia eles dizem que a economia dá sinais positivos e no outro apresentam PEC1 e no seguinte PEC3 e mais umas semanitas e toma lá PEC4 a ver se te aguentas? Não é óbvio para vocês que esta rapaziada anda há tempos a olhar para o lado e assobiar quando toda a gente, repito, quando toda a gente diz o rei vai nu? E olhem que vai nu quase quase na iminência de ser sodomizado à força toda por esse sacana do endividamento público! Meus caros amigos… até eu que sou letrado em tudo menos matemática e economia sei que ninguém pode gastar mais do que tem. É um príncípio ensinado em tenra idade recorrendo a coisas simples como laranjas, maças, perâs e outra fruta.

Sinceramente eu, um optimista crónico, estou desiludido. Não consigo conceber que não haja forma de reduzir a despesa do Estado de forma considerável, porque todos os dias sou confrontado com notícias, relatos de amigos, situações a nível profissional que me permitem dizer que o Estado pode realmente reduzir a despesa e evitar o desperdício, mas para isso é preciso vontade, coragem e determinação e estas três qualidades, meus caros amigos, há muito que são raras nos políticos portugueses. Há muito que quem nos governa pensa (ainda que não o diga) estas barbaridades.

Em todo caso a culpa é mesmo de todos nós. Continuamos a votar neles, não exigimos, não nos preocupa o bem comum, achamos piada a quem foge dos impostos e chamamos-lhe esperto, esperamos que o Estado seja o pai que dá, mesmo sabendo que este pai não tem como dar.

Enfim. Eu optimista crónico me confesso, melhores dias virão se lutarmos por eles!

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Uma resposta to “Tratado sobre a ausência de vergonha”

  1. wednesday Says:

    POis estou contigo a 100%.
    Sou optimista e acho que melhores dias virão.
    Acho que todos devemos tirar 1 lição disto: toca a deixar de dar importânica à luxúria.
    Agora que não a “tomates” neste país, não há…Só mudamos de caras, porque a porcaria é sempre a mesma!

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