Triste… como o tempo!

Não tenho tido vontade de escrever aqui. Aqui ou em lado algum. Ao tempo que não escrevo no diário para o meu filho. A escrita não me tem dado o prazer que dava em tempos. Falta-lhe algo. Não há assunto que me mereça realmente atenção. Não há consideração, por mais engraçada que seja, ou festejo (e este ano não me têm faltado festejos gloriosos ao fim de semana, que julgue relevante para partilhar com vocês. Estou numa fase de bloqueio criativo e pronto! Um descanso nas lavagens de cabelo com adubos químicos… Se juntarmos a isto uma desilusão familiar e a morte de uma tia querida (ela própria causadora de uma enorme desilusão) temos o farnel completo para um pic-nic de surdos-mudos. Tudo sem assunto. Tudo bem calado. Um silêncio sepulcral.

No entanto hoje decidi puxar por mim mesmo para um breve elogio a esta tia que nos deixou no fim de semana.

A minha tia Amélia era uma pessoa querida. Não era doce. Era um pouco como a minha avó paterna. Dura de modos, pouco dada a afectos ou a demonstrações de afectos, mas sempre pronta a mimar uma criança. Era, como a minha avó, rígida e raramente nos deixava à vontade para algum abuso de confiança. Essa rigidez foi fruto de uma educação severa por parte dos meus avós que não é tão reflectida no meu pai, por exemplo, porque três filhos e uma mulher menos rígida e mais afectuosa fazem muito bem a um pai que tinha aquelas referências.

Em toda a minha vida nunca foi uma tia ausente. Sempre se preocupou comigo e apoiou-me a conseguir alguns dos meus objectivos. Recordo-me com muita alegria o dia em que lhes fui dizer que tinha acabado o curso. Estava ela, uma outra tia e um tio meu que também já partiu, sentados à mesa da cozinha do forno. Cheguei e contei-lhes o feito e recordo-me perfeitamente do abraço emocionado do meu tio e da lagrimita no olho que as minhas tias tinham. Naquele momento senti um orgulho grande por lhes ter dado aquela pequena alegria.

Teve uma vida simples, mas que imagino cheia na sua medida. Foram 96 anos de alegrias, tristezas, sonhos, ilusões, etc. que julgo terá aproveitado. Parecia-me de bem com a vida, mas essas contas só as fazemos nós próprios, certo?

Irei recordá-la, minha querida tia, com o maior dos carinhos e, especialmente na Páscoa, irei sentir uma falta enorme do seu pão do gavetão!

Um beijo do seu sobrinho!

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