Das férias II

Já perdi a conta às vezes em que escrevi aqui que sou um felizardo. Normalmente uso a palavra sortudo, mas hoje deu-me para aquela. Procurem por sortudo e verão como não estou a mentir. Mas o que é certo é que sou mesmo um tipo com sorte. Tenho bons amigos, boa vida, bom emprego (podia ser melhor, vá… mas há povo muitooooooooooo pior!), boa família, boa mulher (nos dois sentidos)… é como vos digo… sou um felizardo!

Para que possam perceber melhor esta minha relação com a sorte (reparem que não é daquela sorte que faz com que todo o fim de semana fique extravagante com o europamilhões, ok?) posso contar-vos mais um episódio destas últimas férias. Chamemos-lhe o episódio da carteira perdida, ou melhor, esquecida na feira do livro de Portimão. Aqui vai:

Num dos belos dias de vento da costa vicentina a malta decidiu dirigir-se a sul na esperança de apanhar um dia mais calorento e menos ventoso na costa algarvia virada a sul. O destino escolhido foi o Alvor. Não sei se sabem que o Alvor já foi uma praia que me agradava muito, mas este ano foi o pior dia de praia que passei. A areira da praia parece vinda da escavação de uma pedreira qualquer. Suja e cheia de pedras. Não gostei.

Passado o dia de praia fomos a Portimão à procura de uma confeitaria onde pudessemos comer algum bolo típico da região, com o intuito de fazer horas para a abertura da Feira do Livro de Portimão que abria às 7 da tarde. Lá encontramos a pastelaria, comemos o bolo, vimos que já importaram da África do Sul o sistema de arrefecimento através de água para esplanadas e demos uma volta na marginal do Arade discutindo se era cool ou brega andar naqueles carrinhos de pedais que agora alugam em quase todas as marginais do país. Eu sou dos que acham very cool! 😛

Aberta a feira do livro lá fomos nós! Eu comprei um livro que fala das histórias de alguns importantes generais romanos, um livro sobre Churchill, um romance para a Mrs. Bilhas e dois livros infantis (mas com gajas nuas) para o puto maravilha! Paguei, dei mais umas voltas, o Bilhas, the kid fez o mesmo, esperamos que a restante rapaziada se decidisse e pagasse as compras e tungas… a caminho do carro e depois a caminho de Aljezur.

Chegado a Aljezur deu-me um lampejo de preocupação: “Mrs. Bilhas… onde tens a minha carteira?” Passo a explicar… um gajo quando ama confia à sua gaja a sua carteira. A carteira onde tem toda a sua vida legal e financeira e, mais importante ainda, a carteira onde tem o bilhete para ir ver a Eusébio Cup! Responde ela: “Não sei! não me lembro de a ter comigo!” Pânico geral! Meu Deus e agora que faço… tenho tudo lá dentro, caragos! Como é que faço para ir ver a Eusébio Cup no sábado? Só pode estar em Portimão… eu paguei os livros… devo ter deixado lá… tungas… bilhasmóbil em direcção a Portimão.

Não queiram saber o terror que é fazer uma viagem a imaginar-me a passar a semana seguinte de férias a tratar dos papéis. Imaginar-me na loja do cidadão mais próxima com a lancheira para não perder a vaga, foi a mais simpática das minhas cogitações sobre o assunto. Enfim…

Lá cheguei a Portimão com o coração pequenino e segui para a feira do Livro. Entro, dirijo-me ao balcão e pergunto a um senhor que lá estava: “Por acaso não lhe entregaram aqui uma carteira preta?” E logo de seguida vejo uma senhora, sentada a verificar contas num computador, a olhar para mim com um enorme sorriso estampado no rosto: “Está com uma sorte enorme! Estava ali pousada em cima de uns livros e por acaso eu passei por lá e vi-a!” Naquele momento só me apetecia saltar o balcão e ir dar um abraço enorme à senhora e dizer-lhe… “Muito obrigado… a senhora salvou-me as férias… sem a carteira não podia ir ver a Eusébio Cup no próximo sábado!” E a bem dizer só não saltei o balcão, nem dei o abraço à senhora… não vá haver algum marido ciumento por perto… mas o resto lá ficou a saber.

Conclusão da história… sempre que quiseres ir à feira do livro e brincar com o teu filho enquanto esperas pelos amigos, não te esqueças que não podes ir com calções de bolsos pequenos ou, em alternativa, de dar a carteira à tua gaja… afinal é um dos benefícios do matrimónio, não é?

PS: falta só agradecer à Mrs. Bilhas (ela sabe porque) e ao Carlos e à Christine pela espera e jantar muitoooooo tardio que este episódio originou! 🙂

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2 Respostas to “Das férias II”

  1. brancainpura Says:

    Gostei de dar este passeio.
    Convém sempre aos distraídos ser felizardos e/ou sortudos… eu sou uma.

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