Tinoni tinoni…

Raros são os dias em que podemos cumprir um sonho de catraio. Ir à lua, por exemplo, é um sonho de catraio que muito dificilmente poderei cumprir. No entanto, há outros sonhos de catraio que são mais exequíveis. Ontem cumpri um deles… ou melhor… cumpri mais ou menos um deles: o de ser bombeiro.

Passo a explicar. Eu morei durante trinta anos ao lado de uma corporação de bombeiros, lá na Espinho natal. A essa corporação devo a capacidade de dormir ferrado independentemente do barulho que está à minha volta, porque, no tempo em que não havia telemóveis para chamar o bombeiral, a sirene dos bombeiros tocava alto e bom som para os chamar a km de distância. Eu ficava impávido e sereno a dormir, mesmo que o bombeiral demorasse horas a responder ao apelo. Devo também um sonho de catraio: o de ser bombeiro e conduzir uma ambulância ou uma Magirus.

Ontem, quando cheguei a casa do trabalho, a Mrs. Bilhas brincava com o catraio na sala e eu reparei que estava um bocado de fumo na cozinha. Nada de muito exagerado, mas era fumo e cheirava a fumo. Fui à casa de banho e certifiquei-me que não era eu que estava a pensar muito sem reparar. Não saía fumo da minha cabeça. Voltei à cozinha e espreitei para o forno. Tudo traquilo, estava desligado. Olhei para o micro-ondas e voilá fumo e algo dentro a arder… com direito a chamas e tudo. Chamo a Mrs. Bilhas… era o bacalhau da janta que estava a descongelar. E agora o que faço? Pensei eu baixinho. Já sei (muitos episódios daquela série do bombeiral de Nova iorque)! Desligo o micro-ondas da corrente, tiro tudo o que está em cima e à volta, não abro a porta (que o oxigénio ainda potenciava o fogo… sou um gajo com conhecimentos ou não?) e levo o dito para o quintal. Abro portas da cozinha e sala para ventilar a maison e tirar o fumo, levo toda a gente para fora de casa para não haver intoxicação e, finalmente, abro a porta do micro-ondas!

O cenário lá dentro era dantesco. Tudo preto e com fuligem. Diz-me a Mrs. Bilhas que é normal levar o bacalhau com o plástico ao micro-ondas, mas que a coisa devia ter um metal qualquer que ela não reparou (estás a precisar de férias) e vai daí ardeu. Quando apaguei aquele imenso fogo com um pequeno sopro, lembrei-me… “eh pá! Já podes dizer que apagaste um incêndio em casa!” e logo de seguida olhei em volta à espera da condecoração do Cavaco e do discurso emocionado de um gajo importante sobre as minhas capacidades para a extinção de fogareiros e velas de aniversário.

Resultado final: o bacalhau ainda se comeu, a cozinha ficou com um bocadinho de fuligem, mas nada que uma passagem com um pano no balção não ressolvesse e fiquei com uma história para contar aos netos sempre que a Mrs. Bilhas lhes queira mostrar as fotografias do avô nos anos 80!

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