O CU

Sim, leram bem… o título deste post é mesmo o CU. Não tenho culpa nenhuma que por causa das suas iniciais o bendito Cartão Único, agora Cartão do Cidadão, tenha mudado de nome e sigla, não é? E sempre dá títulos bem mais interessantes do que o CC! Enfim… mas vamos ao que interessa!

A malta aqui no estaminé foi abençoada com uma conservatória do registo civil nas traseiras. Ali mesmo ao lado do parque de estacionamento onde deixo, normalmente, o Bilhasmóbil. Vai daí já há algum tempo que andava de olho na fila de gente que estava na conservatória para tirar o CU. Normalmente é uma bichice que não se pode e por isso tenho adiado a entrada. Hoje, com o carro estacionado mesmo à porta da conservatória, percebi que tinha pouca gente (deve ser da chuva… está o povo todo na praia a aproveitar) e toca de entrar e sacar a bela da senha. Estava a ser atendido o número 15 e eu era o 21. Esperei. Não deveria ser mais do que 15 minutos para que conseguisse pedir o CU e deixar de ter na carteira uns 823942398 cartões que só servem para fazer peso!

Na espera de 15 minutos ainda tive tempo para apreciar uma ave rara que se dizia advogado e queria, ao abrigo do estatuto da sua ordem, passar à frente daquela gente toda. Claro que o rapaz da conservatória lhe disse que não. O que iria fazer era um acto enquanto cidadão e não enquanto advogado, por isso teria que esperar pela sua vez. O homem saiu de lá furibundo. O tamanho da cabeça era tal que tiveram que abrir as duas portas para o homem passar, mas antes de sair lá pediu o nome do funcionário com um tom intimidatório, como quem diz “estás tramado que vou falar com o Marinho e ele faz-te como fez à Manuela Moura Guedes!” Digo-vos que por momentos estiveram para se ouvir palmas à atitude do funcionário. São estes tipos que fazem com que os advogados sejam tão mal vistos na sociedade.

Passado o episódio lá me chama a menina! “Os seus documentos, por favor!” Aqui estão e toma lá, mas temos um problema porque não tenho aqui o número do SNS. Está numa folha de papel algures em casa. É cartão que ainda não me foi entregue desde que há 5 anos mudei de residência e (estúpido) o fui entregar ao centro de saúde. “Não… não há problema que o sistema reconhece o seu número!” Fico mais traquilo e toca de ir para a frente da maquineta tirar a “pelimgrafia”, registar as impressões digitais e fazer uma assinatura à maneira. Confirma os dados, paga, pergunta porque não pode ser com óculos a fotografia (eu acho que os gajos fazem um scan à retina) e a senhora informa que receberei uma cartinha em casa para poder levantar o CU.

Mesmo sem receber a cartinha, lá levantei eu o cu da cadeira e fui-me embora que tinha o trabalho à espera!

Digo-vos, ó meus caramelos, que tirar o CU é coisa fácil. E ficam com a carteira aliviada em cartões e em 12 europas (é o custo da coisa). Mas sempre que pensem em tirar o CU escolham bem a bela da conservatória. Sei de histórias com tardes perdidas a tirar o CU.

PS: já lá dizia o Herodes: “Mais vale perder uma tarde a tirar o CU, do que perder o CU numa tarde!” Não é bem assim, mas isso agora também não importa nada!

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Uma resposta to “O CU”

  1. Aguenta firme « Bilhas, o Bom da Fita Says:

    […] By Bilhas O Bom da Fita Há uns dias escrevi aqui, para deleite de vossas senhorias, a minha aventura a tirar o CU (leia-se cartão do cidadão, ok?). Pois muito bem… para não me armar muito aos cucos com o […]

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