Contente mas não muito

Nem sequer quero perder tempo a tentar explicar porque é que gosto do Benfica. Os benfiquistas todos compreenderão e, por certo, os portistas e sportinguistas também. Basta que pensem que os benfiquistas gostam do Benfica pela mesma ordem de razões que eles gostam do Porto ou do Sporting e pronto. Até poderão dizer que não se percebe como é que há gente a gostar do Benfica uma vez que os títulos andam escassos por aquelas bandas da segunda circular, mas a resposta é simples. Algum andrade ou lagarto deixava de ser lagarto ou andrade se os seus clubes deixassem de ganhar durante uma década qualquer título que fosse? Evidentemente que não! Clube não se troca. Ponto assente e discussão ultrapassada, ok?

Posto isto devo dizer-vos que fico contente com a renovação do Nuno Gomes e a continuidade de alguns jogadores do Benfica. O Nuno deve ser o avançado mais mal amado que este país algum dia teve. Leva um recorde impressionante de golos no campeonato português (entre Benfica e Boavista) e levaria um recorde impressionante de golos na selecção de todos nós (já assim o é: 74 jogos e 29 golos) se jogasse com a regularidade que eu acho que merecia. Reparem que dos jogadores que o ultrapassam em golos marcados, apenas Eusébio, The King, tem menos jogos que ele e que se tivessemos acesso aos minutos jogados a média seria bastante mais avassaladora para o seu lado. Mais do que isso, não me recordo de em nenhuma ocasião, de o ver como um jogador conflituoso, pedinchão pelo lugar, com tiques de vedeta (tirando aquele jeitinho ao cabelo) ou com o rei na barriga pelo estatuto que tem no Benfica. Ainda hoje estou para perceber como é que num país com tanta falta de avançados se desvaloriza tanto um avançado como ele. Espero que os dois anos de contrato que assinou pelo Benfica permitam que ele possa continuar a fazer mais e mais golos. Queria, portanto, dar os parabéns pelo facto à direcção do Benfica, ao Rui Costa e ao Nuno Gomes.

Menos contente por diversos factos que se passaram nas últimas semanas no universo do Glorioso. Ninguém pode ficar contente com a demissão em bloco dos dirigentes do clube numa época tão sensível como esta. Não penso que seja, como tem sido ventilado por outros benfiquistas, por uma questão de receio de perder as eleições. Os benfiquistas, a direcção sabe-o, são como disse o Seabra na apresentação das listas do Vieira pessoas com memória (estamos treinados para nos lembrarmos dos títulos antigos… antes que comentem com a piadola) e sabemos o que estes dirigentes fizeram nos últimos anos. Bem sei que o poderiam ter feito com menos alarido. Todos os benfiquistas, ou pelo menos uma grande maioria, o preferia assim… mais calmo, mas com a mesma convicção. No entanto a construção do novo estádio e infraestruturas adjacentes, a construção do centro de estágio no seixal (não foi oferecido a custos controlados por uma autarquia), a benfica TV, a gestão cada vez mais profissional do clube e sociedades do universo Benfica e, principalmente, a aposta nas modalidades (ditas) amadoras são motivos mais do que suficientes para dar a confiança, por enquanto, a esta equipa liderada por Luís Filipe Vieira. Condeno-lhe os muitos incidentes na gestão desportiva do clube, condeno-lhe a demissão do Quique (eu acho que devia ter continuado), mas em tudo o resto penso que a herança que deixará aos seguintes é bastante mais positiva do que aquela que encontrou.

Um outro aspecto que me deixa particularmente descontente foram os incidentes (para ser simpático) do jogo do título de juniores. Eu joguei voley, fui a finais de campeonatos e ganhei campeonatos e percebo perfeitamente que aqueles miúdos, os dos dois clubes, mereciam muito mais. Mais respeito de alguns parvos que se dizem adeptos dos dois clubes, mais respeito das direcções dos dois clubes com a eliminação de todo e qualquer apoio às claques e repúdio total dos actos que levaram a que uma daquelas equipas de miúdos não pudesse festejar a conquista de um objectivo que tinham desde o ínicio da época. Alguns deles serão pagos e terão muitas oportunidades de o conquistar no futuro, mas digam-me depois para quantos é que este momento de ilusão não se repitirá. Ser campeão não é algo que aconteça todos os dias. Se eu mandasse, recordo-lhes que sou benfiquista (podiam ainda não ter percebido) era multa das grandes e jogos das equipas profissionais de ambas as equipas à porta fechada. Podia ser que aprendessem algo.

E assim sendo calo-me com uma valente esgfregadela de mãos, a olhar para a notícia da contratação do Saviola, e a ranger nos dentes um tímido, mas sentido: “este ano é que vai ser!!!!”

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