Estou oficialmente xoné!

Já há alguns anos me queixo de uma memória pior do que a dos peixes. Passava a vida num aquário na boa. Bastava duas voltas para me esquecer da beleza daquelas azenhas de plástico que costumam lá pôr ou da linda planta que o decora. A sério que é assim má. Tão má que a minha mãe, ainda hoje e mesmo depois de eu saber como funcionam os calendários dos computadores e telefones, me liga sempre que alguém da família faz anos. Só não o faz no dia de anos dela e corre um tremendo risco. Devo confessar que a memória só não me falha em algumas circunstâncias muito especiais e para as quais não encontro necessidade nenhuma. A saber: ainda hoje sei de cor o primeiro número de telemóvel que tive, o número de telefone dos meus pais em 1980, a matrícula do Fiat 128 do meu pai e a de um Carocha que ele também teve, recordo-me perfeitamente do número do cartão da Biblioteca Gulbenkian que existia em Espinho, entre outras coisas extremamente inúteis e parvas para se ocupar a cabeça com.

Até há pouco tempo culpava os meus pais. Não sabiam comprar uma coisa com mais capacidade do que os míseros 20MB que encomendaram para mim? Eu sei que memória era coisa cara na altura, mas não valeria a pena endividarem-se até ao tutano para dar a este moço algo melhor em termos de capacidade de armazenamento? Mas depois de pensar aí uns 15 segundos a sério sobre este assunto, vejo que não os posso culpar. O meu irmão (encomendado antes de mim) consegue lembrar-se de coisas que nem ao diabo lembra e tem a particularidade de se lembrar do artista que canta a música x ou y e dos anos em que foi lançado o Acthung Baby dos U2 e merdas destas. Coisas que impressionam o catraiame, não é? E eu… nada! É nestas horas que dou graças a Deus por ter sido escolhido pela Mrs. Bilhas (certamente por engano), senão a conversa de engate que eu teria nos dias que correm seria uma coisa absolutamente surreal que variava entre as matrículas dos antigos carros do pai e o artigo que tinha acabado de ler e do qual consegui reter o último parágrado. Uma tristeza.

Mas não pensem que isto fica por aqui. Não… nada disso. Antes de ontem tinha uma reunião marcada na capital do reino. Aliás eram duas. Uma de manhã no centro de Lisboa e uma outra de tarde. Esta estava marcada com uma entidade que tem sede no Estoril e vai daí, esta cabeça expedita, nem sequer trata de ler com atenção a agenda e toca de navegar até ao Estoril, marginal fora, para por lá almoçar e chegar a tempo da bendita reunião. À hora marcada, sigo para a recepção e pergunto:

– A pessoa x está? Tenho reunião marcada para as 16!

Resposta da senhora simpática da recepção:

– A pessoa x trabalha cá, mas nos escritórios de Lisboa.

Eu (em pânico):

– Pois… e a pessoa y também não está? Também vai participar na reunião.

A senhora:

– A pessoa y saiu há algum tempo em direcção aos escritórios de Lisboa. Tinha uma reunião marcada lá com um senhor que vem do Porto.

A partir deste momento foi abrir a agenda, confirmar o meu erro e telefonar para x e y para pedir desculpas do tamanho da Ásia. Estou completamente xoné!

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