O início de tudo

É sabido, quer dizer, eu sei que a humanidade nasceu em África. Os primeiros hominídeos deram os seus primeiros passos em África e daí partiram para todos os cantos da terra. Vai daí todos nós temos um pouco de África no nosso código genético. Só assim se compreende a forte ligação de várias pessoas que conheço a um continente em que a maior parte dos países são de uma pobreza extrema. Eu tive a oportunidade de conhecer dois países africanos: África do Sul (a jóia da coroa africana, money speaking of course) e Moçambique. Duas visões diferentes de África. Uma mais rica que outra, e a segunda mais rica do que a anterior em outros aspectos.

Reparem que eu disse que conheci dois países, mas realmente o que eu conheci foram duas cidades: Johanesburgo e Maputo (vá três… se considerarmos que um dia chega para conhecer Pretoria), um parque natural (o mais antigo de África), o Kruger National Park e Sun City (o mais afamado resort sul-africano). Para conhecer um país como a África do Sul e Moçambique eram precisos bem mais do que 15 dias. Um mês seria insuficiente e seis meses seriam demais para um rapaz como eu. Ficaram por conhecer Durban, Cape Town, a Beira, o Bilene, etc. já para não falar de uma visita à Suazilândia ou ao Botswana que tornariam a viagem muito mais interessante. Mas o tempo, esse malvado, não o permitiu. E nós podemos pouco contra o tempo (pelo menos por enquanto, não é?).

Mas comecemos pelo início. Fomos para Johanesburgo em viagem familiar. Eu, a Mrs. Bilhas, o Bilhas, The Kid e os avós do catraio chegamos ao Tambo International Airport depois de uma porrada de horas dentro de um avião (para as quais havia uma ameaça de uma otite do Bilhas, The Kid, que deu em nada porque o catraio portou-se melhor que muito adulto que por lá andava) e fomos recepcionados pelo fantástico tio Manim (mais tarde explico o que é manim, ok?), Armando para os amigos, o nosso guia em grande parte das aventuras africanas. Meia hora depois estávamos em casa dele na companhia da Xau, da Natália, da Daniela e da Cláudia. As primas e tia sul-africanas que faziam o favor de nos dar guarida em alguns dias da aventura.

Pequena reunião familiar ao jantar, planos traçados para os dias seguintes e uma noite de sono retemperadora q.b. (África não nos deixa dormir muito) faziam a ansiedade crescer. As histórias sobre o país contadas por quem lá está ou lá viveu eram o mote para uns dias cheios.

Logo na manhã seguinte (e quando digo manhã, meus caros, falo na manhã, mais manhã que alguma vez vi) o plano era seguir até Nelspruit, passando por Witbank e Middelburg, e depois fazer um desvio para White River onde ficava o fantástico local que nos acolheria por duas noites de visita ao Kruger Park. Esse local chama-se Kruger Park Lodge. Não é dentro do Kruger, mas se algum dia forem para esses lados, aconselho vivamente. É um resort muito bom. Neste dia foi viagem, comes, bebes, diversão e mais diversão e um churrasco nocturno regado a boa vinhaça!

Na manhã seguinte, ainda os animais estavam todos a dormir, saímos em direcção ao Paul Krugers Gate. Porta de entrada e controlo para os visitantes desta importante reserva sul-africana. Confesso-vos que estava completamente entusiasmado. Até comprei máquina fotográfica nova e tudo para esta aventura. Sentia-me o maior dos realizadores de documentários sobre a vida animal, até ao momento em que vi um artista num jipe carregado com dezenas de material fotográfico e de filmagem, que faziam a minha bela máquina parecer uma daquelas máquinas descartáveis que se compram na loja de recuerdos.

A volta pelo Kruger foi excelente. O veículo não era um Land Rover preparado para safari, mas não nos deixava ficar mal. Era uma combi alta e espaçosa cujo nome era Caravelle. Apropriado para uma aventura, não acham? Dos Big Five vimos 3: bufalo, elefante e rinoceronte. Ficaram por aparecer os leões e o leopardo, embora a Mrs. Bilhas esteja convencida que viu os primeiros. Vejam lá um ou dois exemplos da fauna:

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A família escondida na árvore.

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O rei do Kruger.

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O passaroco da tosta mista.

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Um passaroco que não conhecia.

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Um desavergonhado.

Claro está que vimos mais animais, mas não colocar aqui as fotos deles todos, não é? Até porque o senhor wordpress ainda se zangava com a minha capacidade de espaço no estminé. Só queria deixar um reparo ao Senhor Kruger Park: façam o favor de acordar os leões a tempo e cortar o capim, carago! Um gajo vai a África e não vê leões? Não pode! Para a próxima levo comigo o Lucílio Baptista… acho que o gajo vê mais do que todos nós juntos!

Passados os dias no Kruger era chega a hora de partir para Moçambique. Uma viagem magnífica com vistas deslumbrantes. Na fronteira tivemos um embate que me marcará para o resto da minha vida. Nós já estamos habituados a entrar em Espanha como quem vai à esquina tomar café, mas para entrar em Moçambique precisamos de ter um visto. Vai daí foi preciso parar o carro, preencher papelada, mostrar passaportes, comprar um seguro para o carro e pagar a um tipo paraagilizar o processo e levar a papelada lá dentro e evitar estar na fila com o Bilhas, The Kid ao colo (bem sei que é triste dizer isto, mas quem tem dinheiro tem a vida muito facilitada em África). O resto da viagem foi nocturna, por isso não deu para apreciar a vista. 

Eram quase 9 da noite quando chegamos a Maputo. Uma das coisas que impressiona à chegada é a quantidade de lixo que a cidade tem. Se juntarmos isso à degradação das ruas, prédios, casas, etc. a primeira impressão que ficamos de Maputo não é das melhores. No entanto, o acolhimento em casa de família da cunhada fez logo com que as impressões iniciais se fossem esbantendo. África é as pessoas que lá vivem e essas são de uma simpatia e entrega fantástica. Sempre com um sorriso estampado, com olhar vivo e feliz, mesmo não tendo as condições a que nós estamos habituados a ver como comuns na Europa. Sobre Moçambique, ou melhor, Maputo quero deixar-vos estas pequenas fotos:

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O machimbombo.

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Uma vista da maginal.

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E os tais sorrisos de que falava.

Foram três dias cheios. Com direito a vista a todos os sítios de onde os sogros tinham recordações (a Matola, a Catedral, a Estação de Comboios, o Ximpamanine, o Polana, a Cristal, etc.) e a outros que entretanto se foram desenvolvendo ao longo dos últimos trinta anos como o Polana-Caniço (este vai dar direito a post exclusivo). Com almoços fantásticos na Costa do Sol e no Clube Marítimo (o camarão de lá, senhores… o camarão, carago! Que maravilha!). Com direito a banho nas águas poluídas da baía onde só os parolos dos portugueses (nós) tomavam banho, acompanhados de uma água de côco, debaixo de um céu carregado, mas com água mais quente do que a que temos em casa. Três dias em que experimentamos, pelas mãos das irmãs da Mariazinha (a cunhada), pratos moçambicanos óptimos como a mucapata e as apas (acho que se escreve assim). Três dias que foram curtos, mas óptimos como experiência de vida.

Depois tivemos o retorno à África do Sul, a Johanesburgo, e a uma África diferente, mas na mesma interessante e repleta de sítios excelentes para visitar. Mas isso ficará para o próximo post. Para já ficamos aqui… espero conseguir abrir-vos o apetite para os próximos posts sobre a aventura africana.

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3 Respostas to “O início de tudo”

  1. Patricia Lousinha Says:

    🙂
    Queremos mais! Já vos disse que tinha saudades vossas?

  2. Bilhas O Bom da Fita Says:

    🙂 já disse sim senhora! 🙂

  3. Carlos Azevedo Says:

    No próximo sábado não esqueças de levar as fotografias!!!

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