Oh pá, estou ansioso, caragos!

É o que dá ter amigos (uma vez mais parabéns pelo lindo Vasco) que acabaram de ser pais de novo. Um gajo desloca-se à maternidade (que por acaso é uma casa de saúde) e, como a mulher está visivelmente muito grávida, leva com a pergunta fatal: “Então, estás preparado?”

De um momento para o outro parece que nasce em nós a consciência “rapaz… vais ser pai em poucos dias” e o alarme da paternidade soa tipo sirene de bombeiral da rua 16 em Espinho. Como é que raio um gajo se prepara para ser pai? Lê uns livros? Vai ao Google e escreve “vou ser pai e agora?” e clica em “sinto-me com sorte”? Selecciona apenas páginas em português na esperança que a paternidade explicada em português seja entendida de melhor forma? Passa três dias e meio na Biblioteca municipal rodeado de livros de puericultura? Fala com o próprio Pai que o educou brilhantemente e portanto deve saber como explicar a coisa? Como é que raio um gajo se prepara para receber de forma condigna neste mundo o primeiro herdeiro?

A mãe tem uma vantagem biológica em relação ao pai. O crianço nasce e cresce dentro dela. Há ali uma relação que não pode ser entendida pelo machame. A única coisa que nós temos direito durante a gravidez são alguns pontapés na mão que acaricia a barriguinha da mamã e pontapés no pai, está documentado, não é uma boa forma de criar e desenvolver um espirito paternal. Vai daí dou por mim a pensar no que raio vai acontecer quando ouvir a famosa frase: Querido, rebentaram-me as águas!

Certamente o coração pulará, o stress e adrenalina passarão para níveis não recomendados pelo meu médico, as chaves do carro vão estar num sítio qualquer onde nunca as poria em situações normais, a mala que tenho de levar para a maternidade (sim que gajo que é gajo acompanha a sua gaja) vai estar por fazer, telefono aos pais, aos sogros, às irmãs e irmãos (e as cunhadas também têm direito a telefonema?) e penso que me faltará ligar a alguém, mas como vou ser pai tenho direito a alguns erros. Pelo caminho (que conheço como a palma das mãos) vou perguntar-me mil e uma vezes em que rua devo virar para lá chegar mais depressa, acho que deixo para a mãe o telefonema de aviso para a médica e para a maternidade, não vá telefonar para o Jardim Zoológico ou para o Mercado do Bolhão com o stress. Enfim… vai ser disparate atrás de disparate, se bem me conheço!

Acho até que terei direito a estes pequenos disparates. É o primeiro filho e, por muito que um gajo recolha informações junto dos amigos mais próximos, só a experiência resulta nestas situações, não é?

Fica então aqui o desabafo de ansiedade… e pronto!

PS: lembrei-me agora. Bilhas, the Kid… se por um acaso tu vieres aqui, algum dia depois de aprenderes a ler, este post é a mais completa obra de ficção que o teu pai podia ter criado, pá! Nervoso o pai? Bahhhh nada disso… venham eles, pá! No dia em que nasceste o Pai estava calmo como o mar em dia de maré viva, pá!

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4 Respostas to “Oh pá, estou ansioso, caragos!”

  1. Patrícia Lousinha Says:

    🙂

  2. Carlos Azevedo Says:

    É impressão minha ou estás a ter ataques de ansiedade!? Tu tem calma, rapaz… É que esse nervosismo é contagioso e, apesar de em menores proporções, é contagioso aos “tios”! 🙂

    PS – O berço já está disponível amanhã. Por mim, pode nascer!!!

  3. Miss Detective Says:

    este post foi amoroso! foi sim senhor 🙂

  4. Mirian Martin Says:

    Sim! Quem fica estressado é sempre o pai. 🙂
    Nós, mães, só ficamos depois, quando começam a chegar as notas escolares e os recadinhos sobre mau comportamento…;)

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