Ó quatrólhos… ó caixa de óculos…

Era capaz de estar aí umas 83485983478 horas a lembrar-me de termos que a rapaziada usava para chatear o Bilhas após ter passado a andar com a prótese ocular.

Sim, o Bilhas tem um par de óculos super-fashion (e caríssimos) assinados pelo senhor Armani que lhe permitem focar o mundo. Sem eles o mundo, as i see, parece ser visto pelo óculo de uma câmara reflex desfocada. Uma chatice das grandes.

A coisa ficava resolvida se o Bilhas (e a Mrs. Bilhas que ainda é mais cegueta) tivesse paciência para filas de hospital, consultas demoradissimas e listas de espera infindáveis. Nem paciência, nem tempo. Nos milhares de anos que levo com a prótese apoiada no nariz, nunca fiz uma consulta de oftalmologia num hospital público. Felizmente o pai era bancário e tinha um sistema de saúde que nos permitia ir a consultas privadas (comparticipadas, claro) em bons médicos da especialidade. Hoje em dia, embora a empresa tenha seguro de saúde que cobre consultas de oftalmologia, não posso fazer a operação laser que me permitiria retirar a prótese, porque é uma intervenção não coberta pelo seguro (os seguros de saúde são o máximo nestas coisas). Vai daí, para poder fazer a operação que custa uns “míseros” 2000 € (qualquer coisa como 400 contos), ou seja uma porrada de dias de trabalho, terei que me sujeitar a uma primeira consulta no centro de saúde, marcação de consulta de especialidade (sabe-se lá quando) no hospital das redondezas e, com sorte, esperar (sentado) aí uns 9993466723094759 anos para poder ser operado.

Dizem-nos que não há recursos humanos suficientes nos hospitais públicos, leia-se médicos da especialidade, segundo ouvi em reportagem (com um jornalista muito exaltado, diga-se) da TVI. Também nos dizem (a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia) que o melhor mesmo é fazer acordos entre os especialistas e o SNS que permitiriam reduzir o tempo de espera. Eu digo que é um sacana de um problema que poderia estar à muito resolvido se houvesse o mínimo de bom senso (não para o meu problema específico, mas para os mais graves como as cataratas ou deslocamento de retinas, etc.) e de vontade. A mesma vontade demonstrada em tantas coisas com muito menor importância que a saúde do povão.

Disse.

PS: vou ali limpar os óculos que nem consigo escrever direito!

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3 Respostas to “Ó quatrólhos… ó caixa de óculos…”

  1. karla Says:

    Tens bom remédio. Juntas o 2 em 1 e vais a Cuba 🙂
    Fazes umas férias e vens de lá a ver melhor.

    Realço o que tu dizes no fim do teu post. É mesmo falta de vontade e má gestão. Vê lá se os médicos (os nossos), sentindo-se ameaçados pelos “tira-olhos” cubanos (dizem eles, os nossos médicos), não começaram logo a tentar arranjar soluções.

  2. Bilhas O Bom da Fita Says:

    Karla… é bem verdade! Mal se começou a passar a mensagem na comunicação social, arranjaram logo um monte de soluções!

  3. Miss Detective Says:

    é bem verdade. pai bancário é bom, SAMS ao poder, mas banqueiro é que era lindo!

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