A queima das fitas

Já lá vão alguns anos. Para ser mais exacto já lá vão 13 anos desde a última queima com propriedade, isto é na qual ainda participei como parte interessada. Sim… o meu nome é Bilhas, O Bom da fita e acabei a Universidade no longínquo ano de 1995. Disse e sinto-me aliviado, pronto!

Na altura era o happening do ano. Uma semana inteira de borga completa, sem o controle parental a que nos tínhamos de vergar no restante ano e sem qualquer limite a não ser os impostos pelo fígado e pelo cansaço acumulado (normalmente manifestava-se na bancada da praça de touros de Viana, onde aproveitávamos para dormir uma soneca enquanto o povo apanhava a vaca).

O programa começava, como ainda hoje acontece, com a Monumental Serenata na Sé do Porto. Seria melhor dizer que começava com um aquecimento de copos numa tasca que existia ali perto da PSP, porque normalmente o largo da Sé ficava tão cheio que por muito que tentassemos, e tentávamos a sério ( 🙂 ), não conseguíamos lá chegar! Uma chatice.

No Domingo de manhã a Missa de Benção de pastas era um must. Tudo com uma cara de quem esteve até tarde a cantar uma serenata. É que cantar serenatas, está provado cientificamente, provoca uma reacção muito parecida com a ingestão de uma porrada de shots de TGV (Tequilla, Gin e Vodka para os de vocês que são fraquinhos, fraquinhos e nunca tomaram um shot como deve ser…). A tarde reservavamos para a bela da cerimónia da imposição de insígnias e para mais uns copos preparatórios da noite. A par assistíamos ao fabuloso espectáculo de corte nos professores que era preparado pelos alunos mais aplicados do curso, com o objectivo de dar a bela da graxa e subir a, não menos bela, nota! As coisas que esta rapaziada arranja, não é?

A segunda-feira era o dia mais descansado. Permitíamos um pequeno descanso dos órgãos essenciais à destilação do alcoól que iríamos ingerir no dia seguinte. Dia de Cortejo, a terça-feira de queima era o DIA da queima. Acordar tarde no 302, almoço com os compinchas no Juca, saída do restaurante depois das três com garrafa de tinto debaixo do braço (que costumava durar até ao fim da rua) e caminhada até à reitoria, fazendo o percurso do cortejo completamente ao contrário até encontrar o povo da turma, ou alguém conhecido (tipo os pais Bilhas que costumavam aparecer sempre). Neste percurso faziam-se umas belas amizades. Ele era a mães orgulhosas dos seus filhos, as meninas de letras (bem as meninas de letras), um ou outro perdido da vida, enfim… amigos para sempre.

Quarta e quinta, assim como a sexta eram dias de farra nocturna e descanso diurno. A farra nocturna incluía sempre a Ribeira, o Raion (a grande Number One), o Penha Porto, o Swing, o Indústria, um bar que ficava ali para os lados do Passeio Alegre, o Via Rápida e alguns outros na zona industrial e, ocasionalmente, uma saída para uma disconight nas terras limítrofes deste grande burgo que é o Porto.

Para finalizar a queima tínhamos as noites de sábado e domingo. Uma passada em Espinho, com os amigos que estavam espalhados pelas diversas universidades do país e a de Domingo, após a sesta retemperadora na praça de touros de Viana, que normalmente era passada num arraial minhoto (qual era o nome daquilo, rapaziada!?) ou numa disco que existe ali do lado direito de quem entra em Viana vindo de Afife (acho que se chamava Anatomia) onde se encontravam as catraias mais gostosas e tristes do mundo por ser o último dia de queima… alguém as tinha que consolar, não é?

A semana da Queima nunca mais foi o mesmo. Ainda lá fui mais um ou dois anos depois da universidade, mas qual era a piada de ir à queima sem o Pinta na Testa, o Kay, o Bez, o Branquinho, o Racomino, a menina Sónia, as Costas, o Vila Pouca e o pessoal de Vila Pouca, a Paulinha de Alijó, o Periscópio, o Lázio, o Friend Tavares, a Andrea e a Reguila, entre muitos outros (que agora não me quero esquecer de nenhum…)? Qual era a graça?

Nenhuma, meus caros… a queima eram vocês e as borgas que fazíamos.

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