Bairro

Na minha terra não há o conceito de bairro da mesma forma que existe em Lisboa ou no Porto, por exemplo. Com as pequenas excepções do bairro piscatório e do bairro Violas, normalmente falamos na nossa rua. O pessoal da 16, da 7, do Parque, por exemplo. No entanto a ligação que temos com as pessoas, as casas, as lojas, etc. da nossa rua é a mesmíssima que existe nos bairros lisboetas, mas sem o fado. Cumprimentam-se todos os vizinhos (mesmo os maldicentes) e, mesmo que ninguém o assuma, toda a gente sabe da vida de toda a gente (o que não é necessariamente mau).

Quando éramos miúdos, nos tempos em que era possível jogar ténis nas ruas de Espinho com um elástico a servir de rede, a nossa rua e adjacentes era o palco de todas as tropelias. Era comum estarmos na rua sem qualquer protecção dos adultos. Sabiam que não era preciso grandes preocupações. Passava sempre alguém que nos conhecia, não havia muitos carros a circular (tirando os dias de feira) e embora existissem alguns fenómenos, não tinham a mesma relevância que hoje têm. Felizmente para nós.

Na rua jogava-se ao Pirogalo, às escondidas, à bola, partiam-se os vidros de casa de um vizinho, escavavam-se grutas e locais secretos em terrenos baldios, navegávamos com kayaks a cave inundada de um vizinho, jogávamos volley, horas a fio a andar de bicicleta, perdíamos tempos sem fim a massacrar a Mariana (a Mariete Vassouras, recordam), entre um sem número de actividades que a falta de uma playstation ou um PC topo de gama suscitava.

Hoje senti saudade de estar com todos vocês. Saudade de passar uma tarde que fosse numa dessas aventuras. Saudade de um dia passado na praia. Um daqueles dias em que só saíamos quando o sol se punha e a preocupação era arranjar desculpa por atrasar o jantar de família. Hoje senti saudade (muita) da minha rua, do meu bairro, da antiga casa.

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5 Respostas to “Bairro”

  1. Patrícia Lousinha Says:

    Belas linhas, menino. Parabéns!

  2. Mirian Martin Says:

    Enquanto eu lia, via a minha infância no interior do Brasil… Deixou-me com saudades também…

  3. wednesday Says:

    POis, esses tempos já lá vão quer na nossa vida quer para as crianças e jovens de hoje em dia. Nunca vão saber o que perdem com a evolução dos tempos!

  4. Bilhas O Bom da Fita Says:

    Thanks Lousinha!
    Mirian… desde que as saudades não impeçam o aproveitar a vida, são óptimas, não é?
    Wed… é verdade… principalmente em relação ao glorioso, caragos!

  5. Miss Detective Says:

    e a celebre frase? tenho que ir! a minha mae ja me chamou para jantar 4556556 vezes 😛

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