YA ou o início de um conto

Ele era altivo. Tinha, de sua graça, um certo olhar à matador semelhante ao que ficou imortalizado na música La Dolce Vita. Fazia-o sem querer, sem pensar em o fazer propositadamente até que um dia o alertaram para os benefícios desta sua artimanha junto do sexo oposto. Não que fosse um mulherengo ou um D. Juan – há diferenças não sei se sabem – mas era facto que tinha algumas moças da vizinhança secretamente perdidas de amores por ele… Eu diria mais, perdidas de desejo.

Conheciam-no por Ya, dimunitivo de Yazalde, fruto de um amor louco do seu pai pelo Sporting. Os pais cometem erros tremendos e este seguiu Ya em toda a sua vida. O seu ar altivo e olhar à matador era, bem lá no fundo, apenas um sistema, quase militar, de defesa.

“Se eu estou com este ar, vocês simples mortais, não têm como me derrotar…” mas de cada vez que dizia o nome, caia-lhe a máscara.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: