Não haverá pessoa mais cuidadosa do que eu com as minhas coisas. Principalmente as minhas coisas de que gosto particularmente. Ora uma das coisas que eu gosto particularmente é o meu macbook. Uma obra prima da engenharia informática, criada por esses fantásticos senhores de Cupertino, que acende na parte de trás do ecrã uma maçã reluzente como que a indicar ao mundo que a operar ali está uma pessoa de extremo bom gosto e que gosta de coisas simples e eficazes, modéstia à parte, ora pois!
Hoje fiz uma daquelas coisas que em qualquer manual de manutenção de computadores vem nos AVISOS iniciais como algo que pode danificar seriamente o desempenho e funcionamento dos ditos. Algo semelhante a: NÂO APROXIME QUALQUER LÍQUIDO DO SEU COMPUTADOR. CASO ENTORNE QUALQUER LÍQUIDO EM CIMA DO COMPUTADOR ELE PODERÁ FICAR IRREMEDIAVELMENTE PERDIDO.
Até parece que estou a ouvir o burburinho desse lado: “xiiii o Bilhas deitou o copo de gin em cima do computador!!” ou algo menos alcoólico, mas igualmente grave “lá está um macbook e café não combinam de maneira nenhuma!” E podem “burburinhar” à vontade porque este vosso amigo deixou mesmo cair líquido em cima desta linda máquina. No caso (e felizmente), água fresquinha que me estava a ajudar a adormecer um dente que teimava em doer-me. Assim de um momento para o outro, sem perceber ainda como, bati com o copo na mesa e tungas… água vai, sem aviso prévio e o pânico instala-se! Nos momentos seguintes passou-se mais ou menos o que escrevo abaixo:
Ó carago, ó carago que esta merda vai fodiscar o mac todo e o camandro e o catano. O que faço, o que faço. O gajo continua a funcionar todo molhado? Desligo isto tudo? Como? Vai de dar-lhe em maçã e shut down e ver o gajo a fechar as aplicações todas, a suspender a virtual machine do Parallels, a perguntar se tenho a certeza que quero mesmo desligar com uma calma do caraças e eu aflito como Santiago aos mouros para ver o gajo todo desligadinho da silva e sem água a ameaçar aqueles preciosos circuitos. Por fim desliga-se o moço (mais uma vez, pelo seu próprio pé) e um lufa-lufa de toalhetes de papel e inclinação do gajo para ver montes de água a sair das suas entranhas. Nestas alturas só me ocorre uma coisa: ligar ao amigo e sempre muito prestávél auxílio Pedro Aniceto, mas segurei-me. Mandei um e-mail e aguardei.
As horas seguintes foram de medo, horror, pânico, dor, de secagem com auxílio de um secador de cabelo trazido por uma colega e de uma ansiedade enorme. “Será que o meu menino vai funcionar? Será que o devo ligar hoje? Ou esperar aí uns dois meses até ter a certeza que está tudo mais do que seco?
Resolvi arriscar. O público (os colegas preocupados) estava expectante. Ouvia-se o rufar dos tambores. Coloca-se a bateria… a tampa por cima… os clicks do costume e pressiona-se o excelentemente bem desenhado botão de “Power” e rezam-se umas 8239492349 Avé Marias e aí uns 293498982734 Pai Nosso. Mais uns segundos e tungas…
All systems running as usual!
Ouviu-se em toda a Área Metropolitana do Porto um estrondoso e alegre YEAHHHHHHHH!!!!!!!! O meu macbook está a funcionar e até parece mais veloz, carago! A água deve ter limpo alguma poeira e tudo!
E este post já é escrito, ao som de Diana Krall, no computador mais bonito, eficaz e tudo e tudo do mundo. Thanks senhora Apple, carago!
PS: a gerência avisa que não devem tentar esta proeza em vossa casa. O sucedido, tenho a certeza disso, foi um acidente que poderia ter um fim trágico, mas felizmente a sorte e a rapidez ajudaram este vosso amigo.













