Antes de mais permitam-me que elogie um dos bons portugueses que ontem faleceu e a quem devo um pouco da minha clubite aguda. O maior e melhor guarda-redes de sempre do meu Glorioso, Manuel Bento. Era uma pessoa simples, apenas foi um jogador de futebol, mas emprenhava-se como poucos no que fazia e, mais importante do que isso, amava o que fazia.
Posto isto e agora que estamos perto do final dessa grande pérola dos concursos televisivos do burgo, “Os grandes Portugueses”, deixem que opine um pouco sobre cada um deles, contribuindo um pouco nas vossas decisões. Tá visto que todos vão votar, certo? Eu estou esperançado que haja mais votos do que nos referendos ou nas legislativas, ok? Pois bem… ora aqui vai, por ordem cronológica*, para ser mais bonito!
D. Afonso Henriques
O gajo tinha tomates. Reparem que numa altura em que não havia Portugal (entretinham-se com um condadozito) este artista toca de dar duas lambadas bem dadas à mãe e seguir para sul à procura de infiéis em quem pudesse descarregar a fúria. É o pai da nacionalidade e vai carregar o fardo para sempre. Para além disto meteu na cabeça aos vimaranenses que Gumarães é uma terra especial, só pelo facto de o moço ter por lá nascido, segundo alguns autores! Percebe-se agora o perigo de nascer em Guimarães. Alguém sabe se vão fechar a maternidade de lá?
Eu era capaz de votar neste homem, afinal um gajo que anda todo o dia com uma espada de 15 quilos merece algum crédito, não acham? Ahhh e é o fundador da Monarquia portuguesa. Grande vénia a D. Afonso Henriques.
Infante D. Henrique
Este marmelo tem contra si o facto de ter sido apresentado pelo Gonçalo Cadilhe. Realmente eu admiro o Gonçalo como contador de histórias de viagem, mas o facto é que o Infante não foi assim grande viajante, apenas conhecia Lagos e a Ponte de Sagres. Diz-se que um dia veio ao Porto e se perdeu. Foi por causa dos seus desvairios que os tripeiros ficaram conhecidos por este nome, dado que deram as restantes carnes para sustentar os marinheiros que seguiam para o norte de África a mando deste senhor. A seu favor conta o facto de ter visto muito mais além do que os seus contemporâneos e ter percebido que o raio do rio que se encontra em frente a Sagres haveria de ter uma outra margem. É também um dos membros da Ínclita Geração que fortaleceu a segunda dinastia, a de Avis.
Votava nele se de uma vez por todas lhe tirassem aquela vestimenta ridícula e o vestissem à séria!
D. João II
Este Senhor é o meu preferido! E não pelo facto de ter sido apresentado pelo Portas (acho que isso até o vai prejudicar), mas sim porque se houve pessoa neste país que nos soube governar, essa pessoa foi o Príncipe Perfeito. Tinha uma visão do mundo absolutamente avançada para a época, negociou Alcáçovas de forma brilhante com o outro grande reino Ibérico. Soube dar a continuidade sustentada às descobertas portuguesas de que D. Manuel II colheu todos os frutos e mais alguns. Hoje em dia bem que se podiam comparar pessoas como Churchill ou Kennedy com ele, sem que no entanto tivessem metade da sua influência no que é o mundo dos nossos dias (para o bem e para o mal). É a meu ver o principal responsável por sabermos há 500 anos que o mundo é realmente redondo. Votem no gajo que ele merece… ahhh e como não poderia deixar de ser, o gajo é rei, ok? Monarquia Rules! Yeah!
Vasco da Gama
Ora o Vasquinho! O Vasquinho, como era tratado pela mãe e colegas da primária, foi um grande navegador. Chegou à Índia por mar, não é? Mas que seria do Vasquinho sem o Diogo Cão, ou o Gil Eanes, ou o Bartolomeu Dias? Pois… estava tramado que ainda andava às voltas a perceber onde raio é que o Adamastor deveria aparecer. No entanto foi o feliz contemplado com o coroar de uma das maiores epopeias mundiais e isso também não deve ser esquecido. É um dos portugueses mais conhecidos no Mundo, penso que ombreia com o Mourinho se não tivermos em conta os adeptos da bola. No entanto para votar neste moço teria que ser um prémio de conjunto. Ele e todos os outros que o precederam nas descobertas.
Luís de Camões
Ora aqui está um caso de antipatia figadal que não tem explicação. Este grande poeta português obrigou-me a detestá-lo quando andava no 9º ano e os Lusíadas eram livro obrigatório. Canto para cá, canto para lá, devaneios com sereias e musas, monstros marinhos e histórias do arco da velha que me fazem acreditar que já naquele tempo o consumo de ópio era um grande problema nacional. O Luís tem contra si os folhos da gola e o ar de pirata, mas compensa isso com uma das mais brilhantes obras épicas de todos os tempos. Eu dava-lhe um Nobel de Literatura a título póstumo, mas esse grande título de grande português de todos os tempos é exagerado!
Marquês de Pombal
Grande maluco, este Sebastião José de Carvalho e Melo (Mello em Cascais)! Após o terramoto de 1775 fez com Lisboa o que deveria ter implementado em todas as cidades portuguesas, organização! Penso mesmo que só Espinho o seguiu nesta brilhante ideia de ter ruas paralelas e perpendiculares. Reparem que New York também seguiu o exemplo do rapaz. Penso mesmo que só cidades de categoria mundial o poderiam ter feito. Contra si tem o facto de não ter sido Rei (embora aparentasse) e de usar cabeleira postiça. Já se sabe que gajo que é gajo não precisa disso, assume a careca, mas compreende-se numa altura em que a sociedade era marcada pelos floricucos dos reis franceses! A seu favor podemos dizer que foi dos governantes que melhor governou este lindo país! Podia ser um dos escolhidos, mas aquela cabeleira… valha-nos Nossa Senhora da Agrela, que não há outra como ela!
Aristides de Sousa Mendes
Este é um daqueles senhores que estaria no topo dos topos de qualquer concurso deste género. É uma personalidade que ombreia com D. João II. Salvou milhares de pessoas da morte certa, mas só depois da Lista de Schindler é que alguém se lembrou que nós também tivemos um humanista desta grandeza (o que denota a nossa mesquinhez). Só não o ponho acima de D. João II, porque considero o legado do primeiro superior, mas reconheço que Aristides de Sousa Mendes foi uma pessoa muito acima do comum dos mortais. Contra si tem o facto de se chamar Aristides (a minha avó queria dar-me esse nome por ser o do meu padrinho e quero agradecer à Mãe Bilhas o facto de não ser conhecido pelos amigos como o Aris, ou o Tide… ou Tides), ninguém se pode chamar assim, homem de Deus!
Fernando Pessoa
Ora cá está um outro maluco. Ou deverei dizer um grupo de malucos, tal era a quantidade de gajos que viviam dentro daquele corpo e mente! Pessoa é outra das pessoas que mais se conhecem por todo o mundo, um poeta brilhante, escrevia como poucos e tinha uma das mais deliciosas mentes de que há memória em Portugal. Ombreava hoje em dia com os desvairios dos Gato Fedorento, mas ganhava-lhes com toda a certeza no consumo de ópio. Contra si tem o facto de eu ter tido uma péssima professora de português no 12º ano e ter complicado a vida a grande parte dos estudantes deste país. Votava neste gajo para um Nobel, mas não queria que o maior português de todos os tempos fosse um gajo com múltipla personalidade. É assim um pouco que a modos de… if you know what i mean!
António de Oliveira Salazar
Ora aqui está outro caso sério. O homem que deu nome aos rapa-tacho. E ainda bem que o fez, é bem melhor chamar salazar àquilo do que lhe chamar rapa-tachos. Rapa-tachos é um pouco pornográfico, não acham? A minha mãe é que fica um pouco à nora, porque Salazar é o nome próprio do Pai Bilhas (estão a ver a sina?) e o meu pai nunca foi muito de rapar tachos, ou outra coisa qualquer. Contra si tem o facto de ter sido derrotado por uma cadeira. E valha-nos S. Godofredo, ninguém é derrotado por cadeiras!!!!! Pois não? Eu tenho para mim que o gajo simulou a queda quando já não sabia para onde se virar. Em todo o caso substituiu um pouco a teoria do Sebastianismo, pois hoje em dia é invocado em determinadas situações e por determinadas pessoas (chamemos-lhe assim) quando pretendem dizer que o país não tem remédio. Normalmente dizem: “Se fosse no tempo do Salazar, nada disto acontecia”. No entanto a rapaziada esquece-se que no tempo dele, não podiam dizer grande coisa sem levarem com um pau nas costas. A seu favor tem o facto de ter o mesmo nome do Pai Bilhas, o que por si só é uma honra!
Álvaro Cunhal
Ora pois bem, se o anterior não era grande preferência minha, este não o é na mesma medida. Em primeiro lugar o gajo era comunista, logo e como é sabido comia criancinhas ao pequeno-almoço (perdoem-me os amigos comunistas por esta brincadeira a que não resisto, bem sei que apenas as comem ao almoço). Sendo comunista, nem sequer devia estar destacado nesta lista. Ele próprio teria escolhido todo e qualquer um português para melhor português de sempre (uma coisa tipo a nomeação de todos nós para pessoa do ano na Time). A seu favor tem o facto de não gostar do Salazar e do Mário Soares (o que denota grandes qualidades mentais) e de ter sido mantido prisioneiro por ter acreditado que podia fazer um mundo melhor. No entanto, o facto de ter sido comunista e querer ter fundado em Portugal um regime comunista tiram-lhe uma porrada de pontos.
Confesso que destes dez, só mesmo um me levaria a telefonar para votar e acho que é óbvio para vocês em qual votaria, mas devo dizer para este concurso ser mesmo bom deveria ter elegido para melhores portugueses de todos o Pai e Mãe Bilhas. Afinal que outros portugueses poderiam ter contribuído mais para eu ver o mundo como vejo?
*Aristides Sousa Mendes, Pessoa e Salazar nasceram em anos bastante aproximados mas a ordem correcta é esta, se não me engano.
Março 6, 2007 às 3:39 am |
muito bom!!! como compreendo a cena do camões.. pá gajo q deixa uma obra dessas pos miudos estuarem jamis pode estar qualificado entre os 10 tal qual o pessoa, ou pessoas como referes… poem um adolescente a estudar gente doida .. despues admiram-se!!
muito bom o texto!
Março 6, 2007 às 2:35 pm |
Março 26, 2007 às 5:28 pm |
[...] vai) dos distintos compatriotas que estavam a concurso. Aliás já o tinha feito, há uns tempos, aqui (o que me tem valido uns hits valentes desde ontem… yeah!). Mas não resisto em classificar a [...]